Retomando

No início do ano fiquei exasperado com a leitura do sociólogo português Boaventura de Souza Santos. Um de seus livros fazia parte da leitura obrigatória da seleção de pós-graduação em que estava escrito. Li, não sem muita contrariedade (O simples fato de ser obrigatório tira o gosto da coisa.).

Daí vi que o sacrifício foi em vão. Não fui aprovado. Trágico, pra uma criança que sempre tirou boas notas desde o jardim de infância.

Muito pior do que a própria reprovação, foi o processo seletivo em si. Extremamente criterioso, constava de quatro etapas: prova de língua inglesa, análise do projeto, avaliação do currículo, prova escrita e argüição oral – fundamentada no projeto, currículo e prova escrita.

Surpreendente foi o resultado. Nenhuma informação de rendimento. Apenas os aprovados relacionados numa lista alfabética. Consultando a Secretaria do Programa, disseram que os rendimentos não seriam divulgados. Porque? Porque constava no edital de seleção.

Tá.

Haviam vinte e seis vagas. Eram treze orientadores disponibilizando duas vagas cada um. Isto é, o processo seletivo era para as vagas do orientador, não para as vagas do programa. Apesar de constituída uma banca para análise dos candidatos, era evidente que a palavra final estava com o orientador.

Para as vagas que concorria, mais seis candidatos se inscreveram. Entre eles, dois ex-orientandos da professora quando alunos da graduação e participantes de grupo de pesquisa na universidade. Quem foi aprovado? Ahã.

Na comunidade do orkut, muita gente demonstra revolta e indignação com essa política de camaradagem nas seleções dos programas de pós-graduação. Um colega meu, professor universitário, é de opinião contrária. Não dá, em sua visão, pra preterir um candidato de longa história com o pesquisador para um outro, incógnito.

Em meio termo, acho que a hipocrisia deveria ser atenuada. Como? Fazendo um processo seletivo interno, para acomodar os pupilos preferenciais do professor-orientador, e, paralelamente, um outro, externo, oferecendo vagas pra pessoas que estão fora da academia.

Facilitaria a entrada de quem não tem pistolão.

***

Minhas férias são em dezembro. Semana que vem é o processo seletivo. Liberado do trabalho pra fazer a seleção, é um motivo interessante pra adiantar as férias, retornar para as proximidades do Alto Paranaíba e rever papai, mamãe, maninha, vovós, titios etc. Mas não apostem em mim. Já tem umas belezuras com os tais ‘contatos’.

novembro 24, 2006. Pensando.

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