Encontro, I
Era pra ser uma calorosa (de amigável, tá?) discussão sobre os fundamentos frerianos da proposta curricular. Para mim, um sabor mais amargo, mas o suficiente para tingir de cores mais complexas a confusa natureza humana.
Explico, em três atos.
Ato I.
Abro gentilmente a porta para professoras que, eventualmente, precisam sair do salão.
Ato II.
No iniciar das minhas palavras para o grupo, peço a fineza de não se incomodarem com minhas saídas frequentes da sala: a forte medicação que tomo (gastrite, hérnia e esofagite) me solicita idas constantes ao banheiro.
Ato III.
Vejo uma pensativa colega, e brinco: “um milhão por seus pensamentos”. “Você é muito audaz…”, é a resposta. Uma colega ao lado desafia-me a interpretar o pensar da colega. Digo que poderia ser qualquer tipo de pensamento, menos a torcida para que o encontro se acabasse logo.
~*~
Terminado a primeira parte, vem essa última personagem conversar comigo. Diz que se sentiu ofendida e que não iria embora com ‘desaforo’ entalado na goela. Conclui que:
a) eu observei a saída dela da sala de aula; “estou com problemas pessoais”, argumenta ela. Eu sequer percebi que a mesma tinha se ausentado.
b) se refere a minha fala de ir ao banheiro por necessidade e me critica, dizendo que não se sai da sala só em atenção às necessidades fisiológicas…
c) diz que detestou o tom de brincadeira com o qual me referi a ela, dizendo que eu não a conhecia e nem tinha intimidade suficiente para tanto.
~*~
Embascado, uma frase ouvida há tanto tempo brilhou na minha cabeça, em luz neon: quanto mais convivo com seres humanos, menos os entendo.
É isso.