Encontro, II
De manhã, uma dor-sem-fim no estômago. Falei pouco.
Solicitaram-me para iniciar as discussões sobre os fundamentos à tarde. Fiz. Três professores auxiliaram no debate – inclusive elaborando outras argumentações possíveis.
O final do balanço – se fosse somente para o dia de hoje – seria extremamente positivo.
Constrange, porém, o fato do desagravo de ontem. Estou magoado com isso ainda hoje. Por mais que, racionalmente, tento entender o comportamento intempestivo da professora. E da minha infatilidade, também. Poderia simplesmente ignorar. Ou não assumir um papel de coitadinho, esforçado em se justificar e em querer o apreço da agressora.
Eu não queria ser assim. Eu queria ser casca-grossa. Como eu queria.
Inté.
Encontro, I
Era pra ser uma calorosa (de amigável, tá?) discussão sobre os fundamentos frerianos da proposta curricular. Para mim, um sabor mais amargo, mas o suficiente para tingir de cores mais complexas a confusa natureza humana.
Explico, em três atos.
Ato I.
Abro gentilmente a porta para professoras que, eventualmente, precisam sair do salão.
Ato II.
No iniciar das minhas palavras para o grupo, peço a fineza de não se incomodarem com minhas saídas frequentes da sala: a forte medicação que tomo (gastrite, hérnia e esofagite) me solicita idas constantes ao banheiro.
Ato III.
Vejo uma pensativa colega, e brinco: “um milhão por seus pensamentos”. “Você é muito audaz…”, é a resposta. Uma colega ao lado desafia-me a interpretar o pensar da colega. Digo que poderia ser qualquer tipo de pensamento, menos a torcida para que o encontro se acabasse logo.
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Terminado a primeira parte, vem essa última personagem conversar comigo. Diz que se sentiu ofendida e que não iria embora com ‘desaforo’ entalado na goela. Conclui que:
a) eu observei a saída dela da sala de aula; “estou com problemas pessoais”, argumenta ela. Eu sequer percebi que a mesma tinha se ausentado.
b) se refere a minha fala de ir ao banheiro por necessidade e me critica, dizendo que não se sai da sala só em atenção às necessidades fisiológicas…
c) diz que detestou o tom de brincadeira com o qual me referi a ela, dizendo que eu não a conhecia e nem tinha intimidade suficiente para tanto.
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Embascado, uma frase ouvida há tanto tempo brilhou na minha cabeça, em luz neon: quanto mais convivo com seres humanos, menos os entendo.
É isso.
Chegando
De fato: muito cansativo. O ônibus de madrugada com um ar-condicionado insuportavelmente gelado e, ao chegar próximo aos trópicos, no decorrer do meio dia, o bendito aparelho para de funcionar. De dez a quarenta graus em poucas horas é fogo.
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Felicíssimo por rever os amigos. É muito bom saber que somos importantes…
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Amanhã será o encontro com os professores do ensino médio. Que Deus nos guie…
Inté.
Ensino, 4
Hoje seria a aula número quatro da disciplina da Marisia. Não será; pelo menos pra mim. Devo viajar hoje, às 16 horas. Serão vinte e cinco horas na estrada. Estressante, cansativo. E como estou? felicíssimo.
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Continua fazendo frio, muito frio.
Urbanização, 2
Na segunda aula, o pedido: faltar a aula seguinte. O encontro de Formação Continuada será realizado do dia 30 de agosto ao dia 04 de setembro. A professora Vilma, seriíssima, foi sensível ao pedido.
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Aliás, a aula da professora foi um primor. Um exemplo de como as aulas, em qualquer nível, deveriam ser dadas: metódicas, planejadas, meticulosamente preparadas.
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Discutimos hoje conceitos fundamentais para identificar os impactos ambientais, ressaltando os diversos significados conceituais da ação de recuperação prevista no EIA.
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O final de semana não foi muito produtivo. Zero igreja. Fato bom foi ter ficado o domingo inteiro estudando. E malinando, também, a biblioteca puquiana no sábado.
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Faz muito frio.
Inté.
Orientação, 3
Fui beneficiado pela ausência de um colega, agendado para o horário posterior, e tive duas horas de orientação geral. Uma pena que o professor não havia lido meu material. O tempo, porém, permitiu a leitura coletiva dos textos – o projeto, a estrutura sumária e a bibliografia. Grosso modo, indicações de formato e elogios sobre a estrutura.
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Terminei de manhã a sistematização dos dados da Boletim Geográfico. Aliás, a manhã me pareceu extremamente produtiva.
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Recebi e-mail da SCT. Bolsa, só ano que vem. Como dificilmente sairá alguma ajuda pela CAPES esse ano, deverei recorrer a um novo empréstimo.
Mas, do mal o menor.
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Continua a odisséia de justificativa das faltas nas duas próximas semanas. Enviei e-mail para o Jorge, já que não deu pra conversar no final da aula ontem. Falta, agora, a Vilma. brr…
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Devo hoje resenhar os textos da Vilma. Pra garantir confiança no pedido, já que direi que vou resenhar as aulas perdidas…
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Recebi o material da formação que irá ocorrer nas duas semanas seguintes. Do ensino fundamental, vejo problemas: discutir educação fiscal em oficinas que requerem jornais e internet para pesquisa. Em que escola poderei fazer isso? Não sei. Do ensino médio, a já antiga cantilena das discussões pedagógicas. Os professores odiarão. A vantagem é que o material está muito bem escrito e organizado.
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Inté.
Teorias e Metodos, 3
Discutimos hoje os fundamentos da geografia em Ritter e Humboldt. Os principios – entre eles a extensao/localizacao e a analogia.
Uma conclusao foi de que, embora muito popular a versao que ambos eram estimuladores de uma visao fragmentaria da realidade, os dois estudiosos germanicos consideravam a natureza em sua totalidade. A busca de conexao entre os fenomenos exemplifica bem isso.
Houve alguns pontos comicos na aula. Um deles, particularmente, nao posso deixar de registrar. Explicando sobre a preponderancia do objeto frente ao sujeito, ou a desconsideracao do sujeito na pesquisa cientifica de entao, uma colega saiu com a pergunta “e a geografia precisa mesmo de um sujeito?”. De rir. Ou chorar, depende…
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Conversei com o Prof. Edson sobre a ausencia. Indicou que a melhor saida mesmo e’ conversar com os professores. E que a coordenacao, obviamente, nao intervira’. Falta ainda falar com o Jorge e com a Vilma.
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Diz minha lady que nao esta’ bem de saude. E jurei pra mim mesmo que, quando o doutorado sair, eu nao vou ficar aqui sozinho. Nao mesmo.
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Abraco a todos.
Seminario, 2
E’ o primeiro dia de apresentacao. Aguinaldo (sistema bancario e o impacto das novas tecnologias), Carlos (crescimento urbano de Extrema) e Edinilson (oriente medio nos livros didaticos) foram responsaveis pelas tematicas, apresentando seus respectivos projetos.
Minha posicao? Excelente. Mestrado nao e’ so’ feito de aprendizagem vertical. A troca de conhecimento entre colegas e’, da mesma forma, importantissimo.
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Estou ainda pesquisando o Boletim Geografico. Nao imaginei que o trabalho seria tanto. Devo terminar amanha a coleta de dados.
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Estou muito otimista. Isso e’ bom…
Ensino, 3
A primeira parte da aula foi uma espécie de debate empírico. Ensino de nove anos, iniciativas estaduais no aumento da escolaridade em anos, avaliação do PNLD. Na segunda parte, novos detalhes da construção da proposta curricular de Geografia. Desvelou, por exemplo, a contribuição de figurões no documento paulista, tais como Vesentini, Seabra e Ariovaldo. Discutimos, ainda, a distância entre o ensino superior e os professores, com muitos exemplos – entre os quais o meu. É visível o pouco interesse dos professores universitários no ensino de geografia nas escolas de educação básica – e ausência de propriedade quando, muitas vezes, alguma intervenção é feita.
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Ontem visitei o Memorial da América Latina. Meu locatário foi comigo. Não vi tanta razão para deslumbre. Uma pequena biblioteca, com bom número de livros de literatura latino-americana. De geografia mesmo, muito pouco. Os computadores disponíveis eram, também, do tal Acessa São Paulo. Já havia conhecido horas antes, no Baby Barioni, um centro de treinamento esportivo estadual, e frequentei também depois no terminal da Barra Funda. É, aliás, uma excelente iniciativa de democratização do acesso as novas tecnologias. Taí um modelo a ser seguido da gestão tucana.
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Estava no terminal já indo para o Tietê comprar passagem. Resolvi ligar no TO e confirmar a data do encontro dos professores. Prudência nunca faz mal: o encontro foi adiado. Como já havia pago um bilhete, decidi ir a USP, fazendo transferência gratuita para os trens da CPTM. Devo ter chegado na estação da Cidade Universitária lá pelas 15 horas. Uma enorme ponte sobre o Pinheiros me prova o quão fétido pode ser um rio. Experiência horrorosamente prolongada por uns dez, vinte minutos. A chegada na FFLCH foi até simples, já que fica próxima a entrada da Cidade Universitária. Nos corredores do prédio da Geografia, tentei encontrar algum professor comum a minha área de pesquisa. Vi, de conhecido, somente o professor Manoel Fernandes. Simpaticíssimo. Para retornar da USP, refiz o mesmo trajeto, tendo a não tão agradável experiência de fazer o percurso num trem apinhado de gente. Muita gente mesmo.
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De manhã, digitei, na APG, as informações coletadas dias atrás no Boletim Geográfico. Vejo no final que ainda falta muitas informações. Tarefa para noite.
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Amanhã, aula do Bistrichi. É o meu segundo e doloroso passo de tentar abonar minhas faltas nas duas longas semanas que virão.
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A Marisia foi muito tranquila em relação a minha solicitação. Diz que compreende e tal. Aliás, era já esperado. É uma pessoa de ótimo trato. Vamos ver se a situação se repete com os outros docentes…
Segunda sem aula
Hoje é feriado na universidade (comemoração de aniversário). Não há aula. Tudo fechado.
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Acordei hoje com um medo terrível. Pela primeira vez, pensei em retroceder.
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Devo viajar amanhã para TO. Adiada para semana que vem fica, então, qualquer decisão.
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Estou muito magoado, muito frustrado.
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Fui a igreja ontem. De manhã, I Sam. cap 2. À noite, Luc. cap. 5. Em questão, o mesmo tema: tempo de Deus é diferente do nosso e que, em breve, mudanças virão.
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Devo ir hoje ao Memorial da América Latina. Qualquer update será feito de lá.